Doença transmitida por felinos aumenta 1.300%

                                 Foto: inovaveterinaria.com.br


esporotricose é causada por um fungo; manter o gato em casa é fundamental para o controle 

 

São Paulo, 4 de fevereiro de 2022 – Pequenas feridas no focinho, orelha e cabeça. É assim que começam os sintomas da esporotricose, doença causada pelo fungo Sporothrix e que acomete, na maioria dos casos, gatos que circulam pelas ruas e podem transmitir a doença aos humanos por meio de mordidas e arranhados. Nos últimos dez anos, entre 2011 e 2021, o número de felinos diagnosticados com a doença subiu 1.342%, de 71 para 1.024 casos, de acordo com levantamento feito pelo Laboratório de Zoonoses e Doenças Transmitidas por Vetores (Labzoo), da Secretaria Municipal da Saúde (SMS). No período de junho de 2020 (início das análises em humanos pelo Labzoo, antes realizadas pelo Instituto de Infectologia Emílio Ribas) a dezembro de 2021 foram 156 amostras para diagnóstico de esporotricose humana, com 96 positivos (positividade de 62%). 

 

Segundo Hildebrando Montenegro, biólogo do Labzoo, a principal medida para o controle da doença deve ser o cuidado para manter o pet dentro de casa, já que o fungo é encontrado na natureza. “Em 2011, vimos os primeiros casos em gatos em São Paulo e foi estruturado um trabalho de vigilância para a identificação, controle e distribuição de medicamentos para tratar a doença, mas a colaboração da população é fundamental. As chances de animais domiciliados serem contaminados são quase nulas. Se o proprietário não quer que seu gato pegue a doença e, por consequência, a transmita para a família, não deixe o sair para a rua. Nossa orientação também é telar as casas, para que outro gato não entre e tenha esse contato. Se o dono se compromete e faz o tratamento, o pet pode sobreviver, do contrário, ele é muito sensível e pode morrer em alguns meses”, aponta. 

 

As lesões no animal apresentam secreção úmida, inchaço do nariz e coloração avermelhada, normalmente na cabeça e nas orelhas, mas que, rapidamente dissemina para o restante do corpo. No humano, normalmente, as feridas são nas extremidades como pés e mãos, formando uma lesão avermelhada, algumas vezes com secreção, que vai piorando e espalhando para partes do corpo, em menor velocidade.   

 

Foi assim que Anderson Romero da Rosa, 41 anos, mestre de obras, residente da Vila Nova Galvão, na zona norte, percebeu que havia algo errado com o gato de seu vizinho. “Ele tinha feridas profundas no focinho e poucas semanas depois morreu. Para minha surpresa, meu filho e seu primo, que tinham contato com o gato, começaram a ter as mesmas feridas no pé, pescoço e braço. Tão profundas que dava para ver o osso, foi desesperador. Isso faz cerca de seis meses e, até o momento, ele está tomando medicação e vem melhorando, mas ficamos de olho para que não se repita”, conta. 

 

Vanessa Toji, dermatologista do Ambulatório de Especialidades de Pirituba, mesmo local onde o filho de Anderson é atendido, explica que os pacientes chegam encaminhados pelas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de maneira rápida, o que faz diferença no tratamento. “Temos uma agenda específica para esses casos, os pacientes com suspeita de esporotricose já são logo encaminhados para nosso ambulatório. O principal ponto é as pessoas perceberem lesões que sangram, com crostas, que não cicatrizam nem com medicação usual”, alerta. 

 

A doença, nesses casos, é tratada com medicação antifungo. Ao mesmo tempo, o gato contaminado deve ser analisado e medicado pelo veterinário e também tomar a medicação correta. O processo de cura leva, em média, três meses e é importante acompanhar em avaliações a cada seis meses, agendadas pelo médico. Mesmo se não tratada, a letalidade por esporotricose é rara em humanos, a menos que tenha deficiência do sistema imunológico como em pacientes transplantados ou com doenças que comprometam o sistema imune, como a Aids. Nesses casos o cuidado deve ser dobrado. 

 

Junto ao tratamento do humano, o gato contaminado deve ser analisado e medicado pelo veterinário e tomar a medicação correta. Caso seja identificada lesão suspeita para esporotricose durante atendimento nos hospitais veterinários públicos, é realizada a coleta de material para diagnóstico e encaminhado para a Divisão de Vigilância de Zoonoses (DVZ). 

 

Para os casos com forte suspeita clínica, o veterinário já realiza a prescrição do tratamento no primeiro atendimento. Também é oferecido todo suporte para comorbidades apresentadas pelo animal. Após confirmação do diagnóstico, a Unidade de Vigilância em Saúde (Uvis) da região de residência do munícipe é acionada para acompanhamento do caso e fornecimento de medicamentos para tratamento até a alta médica. 

 

Atendimento para os pets 

 

Por meio da Coordenadoria de Saúde e Proteção ao Animal Doméstico (Cosap), a SMS oferece atendimento clínico e cirúrgico aos animais por meio de hospitais veterinários públicos, serviço pioneiro no Brasil, em três unidades nas zonas norte, leste e sul da cidade. 

 

O atendimento é exclusivo aos moradores da cidade de São Paulo e, prioritariamente, àqueles assistidos por programas sociais. Devido à grande demanda, os atendimentos são realizados de acordo com disponibilidade de vaga. São priorizados casos de urgência e emergência, conforme critério médico. 

 

Os hospitais oferecem serviços gratuitos de consultas, cirurgias, exames laboratoriais e internação. No total são sete especialidades: oftalmologia, cardiologia, endocrinologia, neurologia, oncologia, ortopedia e odontologia. 

 

O cidadão deve comparecer a uma das unidades, de segunda a sexta-feira, para retirada de senha, a partir das 6h, levando além do animal a ser atendido, documento de identidade e comprovante de residência na capital em seu nome. O número de atendimentos diários é limitado. O atendimento ocorre das 7h às 17h. 


Fonte: Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de São Paulo-SP

 


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